terça-feira, 1 de agosto de 2017

.....perguntaram dos rituais Flip 2017 ...captura do Face

PERGUNTARAM

perguntaram dos rituais
a única resposta possível
na cor das horas 
é o poema.
*-L.Chioda-

apud ZUNAi  
http://bit.ly/2u2CKcM


O poeta é um ativista, Leonardo Chioda  é um deles, afora uma escrita fina, ele reinventa, dubla a palavra poemando, tonteando o leitor e diz, diz mais. Assim, como na letra, ele poema pelas ruas como fez em Paraty  num exercício de cidadania, flagro-o no face e passo aqui para vocês, leitores.Paulo Vasconcelos



Quem se rendeu à #Flip2017, sabe que era comum ver escritores de todas as idades vendendo seus livros e plaquettes — quase todos de editoras independentes ou seleções de poemas feitas à mão, em folhas sulfite, impressos em rascunho, em poucas cores.

Quem se rendia às mesas dos bares, pode ter visto o que vi: gente caçoando, ignorando friamente, diminuindo ou mesmo tirando sarro de quem oferecia o trabalho por qualquer quantia que o cliente-leitor julgasse oportuno ao material. Vi esse tipo de recepção a jovens poetas que vivem muito longe de Paraty e chegam lá com o dinheiro contado para comer quando dá tempo. Ouvi reclamações burras de quem sentava com as sacolas da Travessa abarrotadas [de livros que nem vão ler]. Gente que chorou com a imensa Diva Guimarães e gritou #foratemer mas torcia a cara a quem interrompia o gole da cerveja. Caramba.

Claro que ninguém é obrigado a comprar nada. Mas o descaso com quem escreve — só porque a pessoa não tem editora ou porque aborda oferecendo o trabalho em meios simples — chega a ser revoltante. E tão comum ao longo do maior evento literário deste país desgovernado.

Quem escreve é de carne, sonho e osso. Me desculpem, mas quem transita no frio trabalhando, aberto à chacota, ao silêncio e ao 'não' ríspido de quem se acha mais e melhor, é tão importante quanto os convidados do auditório principal. Mais que pensar na fogueira das vaidades, creio na Literatura como o melhor pretexto para conhecer a grandeza dos outros. Assim o incômodo de presenciar o olhar reprovador a quem dá a cara aos tapas da vida, com o mundo inteiro no coração. A quem sangra e continua andando.

Ou estou bem louco ainda — depois de tantas emoções ao lado de gente que eu amo e outras que conheci e passei a amar — ou parece, mesmo, que muitos não estão entendendo nada. Deve ser as duas coisas. Me anima o fato de que alguns muitos, dentre eles escritores, não só contribuíram com esse povo corajoso [e bem bom no que faz], como abraçaram e desejaram boa sorte e boa editora. Nem tudo se perde quando a poesia está envolvida. Mas não me rendo a nenhum conformismo. Quem escreve é de carne, osso e sonho de chegar no fim da festa sem nenhum exemplar na mochila.
A ignorância de alguns resiste. Assim como resiste a literatura independente, que é o esforço de tantos — esse braço estendido nas noites frias entre tantas luzes.

*Leonardo Chioda nasceu em Jaboticabal, interior de São Paulo. 
 Graduado em Letras pela Universidade Estadual Paulista e pela Università degli Studi di Perugia. Sua estreia foi com Tempestardes [Editora Patuá, 2013], premiado pelo ProAC [Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo.Seu mais novo livro, POTNIΛ [Selo Demônio Negro], foi apresentado durante a Flip na Casa Paratodos. Além de ensaios sobre Literatura e Simbologia, tem poemas em diversas revistas virtuais e impressas. Devido à sua densidade e ao rigor com a palavra escrita, Chioda se afirma como uma voz destoante — e, por isso mesmo, necessária — da poesia contemporânea brasileira.

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