quinta-feira, 27 de julho de 2017

SUOR, PINGA E SAMBA - FLIP



Por Emerson Lopes, São Paulo , PUC.SP, jornalista da área de Cultura e Comunicação colaborador do Blog -Palavras dos Brasileiros





Como parte de sua cobertura da Flip 2017, a Folha de S.Paulo de hoje, 27 de julho de 2017, traz uma "crônica" (sic) cujo título é "Com Lima Barreto, Flip retoma a boêmia romântica da belle époque". O espaço de uma ou duas linhas reservado para um título ou manchete deve dar conta de anunciar um texto inteiro. Porém, esta necessidade causa um reducionismo -intencional ou não- a respeito do que a matéria aborda realmente.

Ao lermos o texto, percebemos que o autor trata não da mundialmente conhecida "belle époque" francesa ou estadunidense, mas sim de uma possível versão brasileira. Mais especificamente a carioca, na tentativa de fazer um paralelo entre o que acontecia na época do homenageado Lima Barreto e o que pode ser conferido no primeiro dia do festival literário. O esforço é válido. Porém, a cobertura jornalística realizada por colunistas sociais, blogueiros, etc. e a presença de celebridades das mais variadas áreas, todas devidamente clicadas, snapchatadas e instagramadas não nos faz pensar no burburinho intelectual nos bares e cafés parisienses -nem imaginar as famosas reuniões na casa de Gertrude Stein- durante os anos 20 do século passado.

Na verdade, mesmo com as mudanças na edição deste ano, caso o objetivo do texto seja saudar a segunda década do século passado, seria melhor relacionar a Paraty de 2017 a outra cidade. Nova York. Ali, a belle époque apresentava características distintas daquelas presentes na metrópole europeia. Embora os anos 20 em NYC também tivessem como trilha sonora o jazz -no Harlem ou nos apartamentos de alguns ricos da cidade, quem criou a imagem da época naquela cidade foi o casal Zelda e F. Scott Fitzgerald, com seu comportamento extravagante, que preencheu por um bom tempo as páginas dos periódicos com fotos e notas em colunas sociais a partir do sucesso de crítica e público de seu primeiro romance, "Deste Lado do Paraíso". Era inaugurada assim a era das celebridades

Quanto ao Rio de Janeiro no mesmo período? Certamente a cidade continuava com clima quente e mais gente transpirando suor do que literatura, sempre ao som do samba, rebento nascido na década anterior e batizado com o título "Pelo Telefone" pelo seu pai, Donga, entre uma e outra golada de pinga.

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